Natércia Lopes.
O programa Estado da Nação, da mui prestigiada STV, canal que sendo privado tem o condão de conseguir fazer para os moçambicanos um serviço televisivo mais útil que o dos seus colegas da TVM Empresa Publica dado o profissionalismo dos seus jornalistas, está a tornar-se discriminatório.
Vontade dos profissionais que vendo aproximar-se o já ansiosamente esperado 28 de Outubro decidem fazer campanha contra a mudança ou pressão do papão comunista para que no país a desgraça e o sofrimento nunca vejam o seu fim?
O importante é que cada vez mais o apresentador e moderador do debate, aquele que durante o tempo de antena em questão representa a Estação Televisiva, vai sufocando as vozes da oposição, especialmente da RENAMO, que queiram ou não, é a única alternativa governamental para Moçambique por quanto não existe outro Partido já bem estruturado na oposição.
Durante a gravação da edição lançada Terça-Feira última, dia 22 de Setembro, quando se falava sobre o papel do deputado, os membros da RENAMO presentes na platéia foram proibidos de falar sob o argumento de que vergavam camisetas de campanha a favor de um candidato! Tratava-se naturalmente do candidato Afonso Dhlakama e era mesmo verdade que em tempo de campanha eleitoral, eles vinham equipados!
O que já não pode ser verdade é que trajar camiseta fosse a razão para a palavra lhes ser negada, uma vez que membros de outros partidos, também equipados vinham usando da palavra há pelo menos duas edições anteriores e esta atitude até valeu elogios em favor do Partido Trabalhista. “Da próxima temos que estar todos identificados, disse o apresentador, para de seguida referir que o Partido Trabalhista hoje já nos deu o exemplo...” Também houve durante a gravação sobre O Estatuto do Deputado quem falasse de camiseta antes da proibição frontal de que fomos vítimas: ”Com todo o respeito... não pode falar porque está vestida com a camiseta de um candidato...”
A palavra nos foi tirada com este argumento, para logo de seguida ser dada a alguém que vinha vestido de maçaroca e foram necessários alguns gritos, em número que excede meia dúzia, gritos estes que nem teriam servido de nada se não fosse o côro solidário de outros membros de partidos da oposição também injustiçados.
Fiz todo este exercício de “ensinar o padre nosso ao vigário” para apelar a que os profissionais de informação em Moçambique comecem a ser participativos deixando de esconder suas filiações e, sobretudo de obrigar a que os entrevistados escondam os partidos a que pertencem, pois o diálogo nacional necessário à manutenção da paz e promoção do desenvolvimento e do enriquecimento nacional encontra espaço privilegiado na comunicação social!
As instituições legalmente constituídas devem respeito umas às outras e as pessoas que as integram também, pela igualdade que o serem humanas lhes assegura e pela dignidade de pertencerem a instituições cuja existência é preciosa para o nosso país e Povo!
É uma falta de respeito dizer a uma pessoa que para participar num debate público de uma questão também pública, tem de esconder, nem que seja por minutos, a sua escolha partidária.
Um cidadão é livre de ser membro e nunca deve ser obrigado a esconder isso. As clandestinidades já acabaram e as intolerâncias devem também desaparecer! Se o cidadão tem que esconder a camiseta perante as câmaras, então o Ministro em reportagens oficiais de Estado também não pode estar vestido de forma que os destinatários da informação vejam algum sinal gráfico do seu Partido como no Dia Internacional de Turismo se apresentou o titular desta pasta!
Não é que esteja certa a repressão, mas se trata errado, haja tratamento er-rado para todos! Se os fazedores da lei tiverem que cumpri-la como os outros, então não demorarão a reconhecer quando fizerem uma lei errada e depressa ela será corrigida!
Não é a indumentária que determina a correcção de uma idéia! Não deve haver diferenciações entre entrevistados! E se torna mais grave quando a pessoa vem de longe sem aviso, e na ora de intervir é surpreendida com um “cala a boca porque vens identificado!”
A Informação também deve acompanhar o desenvolvimento da Democracia. Estamos no multipartidarismo. Cada um já pode ter o seu partido e não te-lo se quiser, usar camiseta e fazer sua campanha oral ou silenciosa sem medo de ninguém.
E os jornalistas devem aprender a dar aos partidos o lugar e o estatuto social a que têm direito para terem mais autoridade de poder exigir deles!