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“Frelimo está a sabotar estas eleições”- disse o Presidente Dhlakama na entrevista que deu, exclusivamente, ao Boletim Informativo LIBERDADE (BIL).
ENTREVISTA COM O PRESIDENTE AFONSO DHLAKAMA
“Houve erro na maneira como foi planificado o recenseamento eleitoral e isto demonstra que a Frelimo está a sabotar estas eleições para que elas não se realizem a 16 de Janeiro de 2008”, palavras do Presidente da RENAMO, Afonso Dhlakama, quando falava a reportagem do (BIL). A seguir leia esta entrevista que
nos foi concedida no seu gabinete de trabalho na cidade de Maputo.
BIL: Senhor Presidente da RENAMO, com a desorganização que se verifica neste recenseamento eleitoral, avança-se ou não para as eleições provinciais? Qual é o posicionamento da RENAMO? Pr A. Dhlakama: Neste momento não podemos discutir se haverá ou não eleições porque como sabe, hoje, estamos no dia 9 de Outubro e o recenseamento teve o seu início no dia 24 de Setembro, passam aproximadamente 16 dias. Mas, as informações provenientes das províncias sobre o censo eleitoral não são encorajadoras. Mais de 90% dos computadores em todo o país estão avariados e os restantes 10%
não estão também a trabalhar em pleno porque os brigadistas não aprenderam o seu manejo. No entanto, deixe-me frisar que da maneira como o plano de recenseamento foi concebido está muito errado, mesmo que estas máquinas estivessem a funcionar bem, o período de 60 dias planificados para o censo eleitoral num universo de 10 milhões de eleitores não permitiria que se atingisse a meta, apenas haveriam de recensear-se, possivelmente, 3 milhões de habitantes do Rovuma ao Maputo, o que significa que muita população ficaria sem cartão de eleitor. Isto é um crime. A RENAMO está de tudo para convencer a Comissão Nacional de Eleições (CNE), como entidade gestora do
processo eleitoral, para aceitar alternativas que possam dar credibilidade ao recenseamento eleitoral. Por exemplo, só em Mutarara, existe apenas uma brigada que está a funcionar para todo o distrito e por ser somente uma de 24 a 30 de Setembro recenseou apenas 495 eleitores e de 1 a 7 de Outubro recenseou 466 pessoas. Na cidade de Nampula, as informações que nos chegam desde o início do recenseamento até hoje (9 de Outubro) recensearam-se 6 mil pessoas. Em vários distritos do país o material ainda não chegou: cadernos, cartões, Mobil ID e carimbos. Há tanta gente que está a afluir aos postos de recenseamento, sem que sejam registadas por falta de material e
por inoperacionalidade dos computadores, aliada ao desconhecimento por parte dos brigadistas que não foram devidamente preparados para as novas tecnologias empregues neste processo.
BIL: Sr. Presidente, desde o princípio deste processo eleitoral, a Frelimo nunca esteve interessada na realização das eleições provinciais, sugerindo a sua realização em simultâneo com as de 2009. Acredita que seja uma manobra para se adiar estas eleições? Pr A. Dhlakama: Não restam dúvidas são manobras. A Frelimo não estava preparada para estas eleições. A RENAMO é que pressionou. Inclusive o Partido no poder mandou várias personalidades, quadros da sua
formação política para convencer a RENAMO a realizar o escrutínio em 2009. O argumento do pedido de adiamento é que as comunidades moçambicanas não estavam consciencializadas sobre a importancia destas eleições. Nós dissemos que como Partido Politico com representação em todos os distritos, postos administrativos e localidades, fizemos um trabalho de sensibilização sobre estas eleições porque fazem parte da descentralização da Administração do Estado. Dissemos na altura, que as Assembleias Provinciais vão obrigar os governadores provinciais, pela primeira vez, a prestarem contas. As Assembleias provinciais constituem um poder, primeiro, de aprovar o programa
do Governo Provincial, segundo, de aprovar o orçamento provincial e demais assuntos. Pela primeira vez as brincadeiras dos Governadores Provinciais seriam censuradas com a prestação de contas, o que significa puxar a Democracia para as populações das províncias. Isso constituiria, uma real reconciliação entre a RENAMO e a Frelimo e esta com os demais partidos políticos. Nós, como RENAMO, nunca vamos aceitar que estas eleições sejam transpostas para 2009. Mas havendo motivos plausíveis para o adiamento, elas poderão ser realizadas em simultâneo com as das Autarquias Locais.
BIL: Qual é o motivo que pode justificar o adiamento das eleições?
Pr A. Dhlakama: O motivo é este que acabei de mencionar porque não há nenhum recenseamento que está sendo feito. Por exemplo, se em Inhambane recensearem-se 14.000 pessoas até 22 de Novembro, muita gente vai ficar de fora. Assim, adiadas as eleições a RENAMO, a Frelimo e o resto da oposição podem replanificar o processo de recenseamento,retirando os computadores e fazendo o registo eleitoral de forma manual como vinhamos fazendo, e a Comunidade Internacional vai sentir-se parte integrante do processo, financiando-as. BIL: Há informações de violência contra membros da RENAMO em Tete e alguns fiscais foram corridos ou espancados por simpatizantes
da Frelimo como é que o Partido em que é Presidente está a encarar esta situação? Pr A. Dhlakama: Essas provocações são sempre frequentes em momentos eleitorais. Em Chifunde, não temos representação nos orgãos eleitorais, nem fiscais e nem vogais, eles foram corridos e refugiaram-se na vila Mualaze, inclusive o deputado Brito Simango foi lá agredido fisicamente por simpatizantes da Frelimo. Essas acções são ilegais porque se o processo é para todos a Frelimo não deve violentar os apoiantes de outros Partidos, isto revela o medo de perder as eleições nas mesas de votação e assim ao escorraçar os outros quer manipular o processo sem que ninguém os veja.
a presença dos vogais dist O QUE ME PREOCUPA NÃO É A DIVULGAÇÃO DOS MANTATOS PROVISÓRIOS, MAS SIM O RECENSEAMENTO ELEITORAL-ADIANTOU O Líder da RENAMO.
BIL: Ontem a CNE apresentou a projecção dos mandatos provisórios para as Provinciais. Qual é o posicionamento da Renamo? Pr A. Dhlakama.: A RENAMO esteve representada nesta apresentação pelo seu mandatário, Dr. José Monteiro e o Porta-Voz do Partido, Fernando Mazanga, ambos membros do Gabinete Central de Eleições da RENAMO e deram o relatório do encontro e do pronunciamento do Presidente da Comissão Nacional de Eleições, Sr. Leopoldo da Costa. O que mais preocupa aos Partidos da
oposição não é o calendário, mas sim, a distribuição provisória dos mandatos dos círculos eleitorais. Como sabe, este escrutínio tem o seu epicentro nos Distritos que são os círculos eleitorais. E por isso estes mandatos deveriam ser distribuídos e anunciados depois do recenseamento. Não se entende qual é a base dessa distribuição dos mandatos provisórios. Salientando, a minha grande preocupação está no recenseamento. Não há eleições sem haver registo eleitoral e para flexibilizar o processo deveriam ser alocados helicópteros para chegar às zonas de difícil acesso para proceder ao recenseamento das populações rurais. O recenseamento eleitoral não está a ser
fiscalizado pelas brigadas do STAE a todos os níveis, sobretudo nos distritos porque não há transporte. As brigadas andam a pé parecem nómadas. Esta é uma sabotagem que afecta bastante os eleitores das zonas rurais, postos administrativos e localidades.(in BIL)
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