O Procurador-Geral da República correspondeu, nos dias 05 e 06 de Maio de 2010, ao disposto no número 3 do Artigo 239 da Constituição da República, que passo a citar “ o Procurador Geral da República presta informação Anual à Assembleia da República”!
A expectativa dos Moçambicanos era tal, uma vez que tratando-se do informe do guardião da legalidade aos mandatários do povo, e perante uma avalanche invejável de casos criminais, supunha-se que os mesmos seriam desvendados e quiça tramitados para o bem da justiça no nosso País...
O Procurador-Geral da República correspondeu, nos dias 05 e 06 de Maio de 2010, ao disposto no número 3 do Artigo 239 da Constituição da República, que passo a citar “ o Procurador Geral da República presta informação Anual à Assembleia da República”!
A expectativa dos Moçambicanos era tal, uma vez que tratando-se do informe do guardião da legalidade aos mandatários do povo, e perante uma avalanche invejável de casos criminais, supunha-se que os mesmos seriam desvendados e quiça tramitados para o bem da justiça no nosso País.
Ficamos desiludidos à medida que o Dr. Augusto Paulino ía folheando o seu bloco de notas.
Terá sido um bloco de notas de Jaez de lamentações o que o Procurador – Geral da República apresentou aos dignos mandatários do povo.
O mais caricato de tudo é que a sociedade moçambicana acompanha, através do heróico trabalho da Comunicação Social, as práticas hedióndas de crimes de todos os tipos e feitos, desde assassinatos praticados por atiradores sem rosto, da corrupção gerneralizada, sem corruptos de branqueamento de capitais, culminando com crimes eleitorais que nem se quer chegam a ser julgados.
A relacão directa entre a corrupção e o crime, desde o longíquo e tão fresco caso Banco Austral Versus assassinato do jovem economista António Siba Siba Macuacua, passando pelo caso BCM versus assassinato de Carlos Cardoso, até aos crimes de hoje onde altas patentes da Policia da Republica de Moçambique (PRM) e bem mais fresco o caso das Alfândegas, não há mostra de haver interesse em serem desvendados, ou por outra, não há nenhum interesse em os trazer a público.
Os impostos dos Moçambicanos foram “ mamados” no Ministério do Interior e o único passo que se deu foi encarcerar o Ex-Ministro do pelouro, Dr. Almirino Manhendje, o qual ficou a servir de bode expiatório cerca de 9 meses, para depois ser liberto, sem que lhe seja dada uma devida indemnização, como se tivesse ido de passeio ao calaboço.
Este teatro do Procurador – Geral da República na casa do povo faz nos recordar os momentos atribulados que antecederam a sua nomeação para aquele cargo, suspensões de culpa sobre o seu envolvimento no desvio de fundos do Tribunal da Matola onde exercia as funções de Juíz Presidente.
Alguém escrevia na altura que um Procurador-Geral da República deve ser igual a um pano branco, não devendo ostentar nódoas que pudessem manchar o seu trabalho! Hoje os Moçambicanos perguntam qual é o paradeiro da Secretária que denunciou o Dr. Juíz Paulino?
Não estarão os tubarões deste País a chantagearem o PGR, lembrando-lhe esta nódoa? Facto que o manieta no seu informe, relegando o conhecimento de casos quentes, limitando-se a descrever o “ mobiliárto da Procuradoria-Geral da República”, no lugar de abrir as gavetas que têm assuntos quentes.
A irresponsabilidade da Bancada da Frelimo, ou sua cumplicidade defrauda as expectativas dos Moçambicanos, pois, é sob seu protecionismo que o Procurador-Geral de Moçambique fez omissões que tiveram o valor de desinformação.
Minhas Senhoras e meus Senhores, o Estado Moçambicano rege-se por Leis, o que o torna num Estado de Direito Democrático Pluralista. Nesta base legal, a soberania reside no Povo! O Povo exerce a sua soberania através da sua participação em eleições livres, Justas e transparentes. Ora vejamos, o tratamento que o Procurador-Geral da República deu ao processo eleitoral terminado demonstra que ele não está preparado para ser o guardião da legalidade… pelos menos não está preparado para exercer este cargo com zelo e imparcialidade, tratou os crimes eleitorais com um tal eufemismo que deixou clara a sua parcialidade para com os criminosos eleitorais.
O cidadão, e as pessoas colectivas que perseguem assuntos de Estado, caso dos Partidos Políticos, merecem maior atenção de todos os Órgãos de Estado e seus afins. Ainda devem gozar de protecção oficiosa do Ministério Público para o usufruto dos seus Direitos, não se compreende que o Procurador-Geral da República continue a alimentar silêncio à volta da imposição de lei eleitoral desfasada dos requisitos mais elementares do pluralismo político e Democrático.
Esperávamos oficiosamente que a Procuradoria-Geral da República lutasse por fazer cumprir as Leis que regulam os processos eleitorais, devido à sua importância para a condução do País.
Ao longo da aplicação dessas Leis Eleitorais houve atropelos de todos os tipos que não mereceram nenhum reparo da Procuradoria – Geral da República.
Estamos recordados do Acordão do Conselho Constitucional, que remetia casos de crimes eleitorais, à Procuradoria-Geral da República, mas esta não boliu nem mugiu.
Estamos todos lembrados do caso do Senhor Albuquerque, funcionário afecto aos órgãos eleitorais na Cidade da Beira em 2003, que viciava editais, mas até hoje continua a passear a sua classe!
Lembramos o caso da esposa do Administrador de Mocímboa da Praia que na eleição intercalar do Presidente do Município da Vila de Mocímboa da Praia, foi encontrada em flagrante delito a falsificar os boletins de voto do candidate da Renamo, mas que até hoje nada lhe aconteceu.
Estamos a falar de um conjunto de provas que a Renamo apresentou ao Conselho Constitucional e de outras violações que a imprensa publicou, mas que o nosso procurador fez ouvidos de mercador.
Estamos a falar do impedimento que a C.N.E impôs à Renamo e outros Partidos, de não concorrer às eleições em determinados círculos eleitorais das Assembleias Provinciais, e tudo continuar como se nada tivesse acontecido.
Minhas Senhoras e meus Senhores, o primeiro trimestre deste ano, foi marcado por uma serie de exigências da Comunidade Internacional o G19, de exigir as garantias de combate à corrupção, garantias para a democratização do País e a dês partidarização da função pública.
A Renamo respeita a posição dos Doadores e os insta a continuarem a ser vigilantes ainda mais. Porém, no que diz respeito às garantias sobre a democratização do País, ela não se deve resumir apenas a uma simples abertura para a formação de bancadas parlamentares para acomodar os que eram excluídos pelo regimento, mas sim a Renamo é a favor de pluralismo de ideias na “AR” . É fundamental que se garanta o estabelecimento de uma nova ordem política nacional, que irá criar as premissas para a aceleração da despartidarização do Aperelho de Estado.
Para tal é necessário que a Comunidade Internacional, principal doador do Orçamento Geral do Estado (O.G.E) exija mais atenção do Procurador-Geral da República para os assuntos da legalidade eleitoral. Não basta pressionar o Governo do dia e deixar de fora as instituições da justiça.
Não há Democracia sem justiça!
Não há Democracia sem o respeito pelo Direitos Humanos.
A RENAMO congratula os seus Deputados que se bateram com galhardia na Assembleia da República para que o informe pudesse trazer o realismo que todos conhecem mas que ninguém do poder ousa reconhecê-lo.
O Partido RENAMO continua com o seu compromisso de lutar para que a justiça chegue para todos e que a corrupção e o crime organizado sejam erradicados do nosso seio.
Para a RENAMO o informe do Procurador-Geral da República foi omisso e por via disso desinformou.
O informe do P.G.R. foi lacónico no que tange à assuntos quentes como os casos de: Siba Siba Macuacua, Carlos Cardoso, Ministério do Interior, Processo Eleitoral, Caso BCM e outros que para nós deveriam ter sido bem escalpelizados.
A maior parte dos actos criminosos omitidos, resultam do facto de se pretender proteger certos camaradas ligadas ao poder.
O conceito camarada deixou de ter o seu sentido etimológico e semântico, passou a ser uma religião que visa encobrir actos que degradam a moral da sociedade moçambicana. O vocábulo camarada veio a ser um ícone que confere a intocabilidade e a impunidade, sendo por isso admissível que um camarada possa praticar crimes e continuar impune.
É por isso que o desvio sistemático dos sete milhões por parte de Administradores, Secretários Permanentes e outros membros do chamado Conselho Consultivo, não constituem matéria de aprofundamento por parte do Procurador – Geral da República, os camaradas se resfalam com os 7 milhões, o povo denuncia, mas nem as presidências abertas têm coragem de estancar este mal para não comprometer o projecto da criação da nova elite política e económica numa clara recuperação dos bolcheviques e mencheviques da era da revolução soviética.
Os camaradas estão a roer a economia nacional e sempre que são descobertos se calafetam na camaradagem, um escudo de ouro e lixivia que limpa tudo, até crimes hediondos praticados à luz do dia!
A RENAMO entende que é urgente o estabelecimento de uma matriz para o informe do P.G.R., para deixar de ser enfadonho, omisso e apenas de palavreado discursivo.
Urge que se comece a olhar para as grandes questões do nosso País sem paninhos quentes.
O informe não deve trazer embelezamentos, mas sim realidade, doa a quem doer! Não podemos continuar a assistir um País corrupto mas sem corruptores. Um País cheio de crimes mas sem criminosos.
Chega do velho método de ir para a “AR” apenas para cumprir um dever.
Deve, o Procurador-Geral da República, ir para a casa do Povo não para nos lembrar que está no cumprimento do serviço de Estado, mas, nós é que devemos sentir que estamos com um Estadista que nos informa matérias do Estado e que todos possamos sentir cobertos. Cada cidadão deve se sentir reflectido no informe, porque retrata a sua realidade, os problemas que viu serem resolvidos na sua zona, no seu local de trabalho, na sua escola, no Hospital, com a intervenção das estruturas da justiça!
O Povo clama pela justiça e o guardião a esconder se por baixo da batina, o Partido dos camaradas desfilam na casa do povo e em nome do povo e sem resolver os problemas da Nação.
O Povo precisa ver um Procurador Geral interventivo para estabelecer uma nova ordem politica e social.
A justiça pelas próprias mãos é a resposta da sociedade devido à falta de seriedade das instâncias da justiça.
Não tarde que a justiça sobre os processos eleitorais comece a ter novos contornos, uma vez que o Conselho Constitucional e a Procuradoria – Geral da República fazem PING PONG dos seus assuntos de relevo.
O Povo quer a justiça eleitoral e ela tarda em chegar e está ficando cansado dessa justiça eleitoral de camaleão: ora é lenta, ora muda de côr!!!
Não se pode tratar de forma leviana assuntos que mexem com a vida de mais de 20 milhões de Moçambicanos!
A esperança dos Moçambicanos reside numa Democracia Multipartidária, onde todos exercem o direito de eleger e de serem eleitos, e essa vontade popular ser respeitada! Quando isso não acontece tudo é possível.
Somos pela Paz e pela Justiça para todos!
Maputo, aos 14 de Maio de 2010
Chefe do Gabinete Presidencial
Dr. Augusto Mateus